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‘Novela é antiética e manipula espectador’, diz psicóloga
Foi ao ar na noite de quarta-feira, na novela O Outro Lado do Paraíso, a primeira sessão de hipnose de Laura (Bella Piero) por Adriana (Julia Dalavia), uma advogada que tem formação em coaching e se propôs a ajudar a menina a entender seus problemas sexuais.

Veja              08/02/2018    14h25
foto: Divulgação/ Globo

Foi ao ar na noite  de quarta-feira, na novela O Outro Lado do Paraíso, a primeira sessão de hipnose de Laura (Bella Piero) por Adriana (Julia Dalavia), uma advogada que tem formação em coaching e se propôs a ajudar a menina a entender seus problemas sexuais. Induzida a um estado de consciência não ordinário, ou de transe hipnótico, Laura se viu criança diante de um tanque de tartarugas, quando percebe a chegada de um homem – seu padrasto, o delegado corrupto Vinícius (Flavio Tolezani), por quem foi abusada na infância. A confusão de papéis – uma coach que faz as vezes de terapeuta e, ainda por cima, com aplicação de hipnose – é alvo de crítica de profissionais da saúde e de até mesmo de outros coachs. Para piorar – o que jogou mais combustível nesse pequeno incêndio, por misturar questões mercadológicas com outras de saúde mental – a sequência contou com patrocínio do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), que pagou por uma ação de merchandising na trama.
“A novela falha na ética. É manipulação midiática, faz espectadores acreditarem que podem se tratar com outros profissionais, como um coach. O pior é o interesse mercadológico. É antiética essa enganação”, diz a psicóloga Rosane Lorena Granzotto, integrante do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Qualquer profissional, de qualquer área, pode fazer o curso, que não é regulamentado pelo MEC, focado em cursos universitários. “Mas aí a gente entra em uma questão ética”, diz Rosane. “A hipnose é uma técnica que pode acessar estados e conteúdos profundos do sujeito. Quando se trata de um trauma como o da novela, um sofrimento muito profundo que bloqueia a pessoa para uma vida saudável e normal, deve ser tratado por um profissional que, além de saber usar a técnica, tenha uma boa formação de base para compreender a mente humana e o sofrimento psíquico. A formação de alguém que lida com o sofrimento é algo muito sério, não pode ser banalizado como a novela está fazendo.”
Para a psicóloga, o “tratamento” – o termo é utilizado pela mocinha do folhetim, Clara, vivida por Bianca Bin – de Laura por uma coach pode, na vida real, ter consequências “nefastas”. “O prejuízo mais evidente é que não vai haver uma mudança de comportamento perene, uma reconstrução existencial, porque não tem elaboração. E, vindo à tona uma coisa tão brutal como um trauma, como essa pessoa vai incorporar essa vivência? É preciso o acolhimento de alguém preparado para isso, para entender a mente humana. Há riscos de que a situação piore, que a pessoa fique mais ansiosa, com mais pânico.”

 


   
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